Apreciando

Viver na confiança

Junho 21, 2009 · Deixe um comentário

trustDepois de uma semana intensa na Biologia Cultural, saí intrigada sobre que tipo de espaço crio pra meus filhos.   E ontem, como que ouvindo minha inquietação, tive um tipo de resposta deles. Visitávamos o CCJ e as crianças tinham conhecido o Edson Nascimento, monitor e arte-educador naquele momento.  Depois de conversarem sobre o filme Wall.e, interessarem-se vivamente pelo lugar encantando-se com as aulas de rap, ficarem concentrados na bilbioteca lendo gibis enquanto eu e Edson conversávamos, despediram-se calorosamente.  Nas despedidas, eu disse: – Vamos crianças, se não chegaremos muito tarde na praia.  E eles viraram pra ele, naturalmente, e convidaram: -Você não quer ir pra praia com a gente?

Na hora, sorri, ele agradeceu e fomos embora.

Mas no carro, depois que eles dormiram, a cena me voltou à cabeça e eu vi o mundo de confiança em que vivemos.  Vivemos num mundo onde todos são  indiscriminadamente amigos, onde o compartilhar é natural e novas pessoas são acolhidas como velhas conhecidas.

Vi meus filhos como seres humanos amorosos e isso me comoveu até os ossos.  E vi essa sustentabilidade humana que afinal de contas sugiu ali no nosso viver. Este legado deixo prá eles, um legado que queria mesmo deixar.

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Aprender é conviver

Abril 26, 2009 · 2 Comentários

wesley duke leeFui à exposição Duke Lee – Baravelli – Fajardo – Nasser – Resende – na Sala Maria Antônia da USP.  Minha mãe me convidou. Ela,  Cacilda Teixeira da Costa, é PhD em história da arte e especialista na obra de Wesley Duke Lee, de quem é grande amiga e com quem convivo desde criança.  O conceito da exposição é mostrar de que forma ele influenciou esses seus 4 alunos com quem conviveu dos anos 63 a 68 em São Paulo.

O tema da exposição me levou para estas reflexões da Bio Cultural: “Então qual é a dinâmica constitutiva da aprendizagem? Aprender é sempre um resultado da própria deriva de transformações na convivência, aprendemos com ou sem educação, aprendemos com ou sem ensino. E conforme for a convivência será o que aprendemos.”

Wesley teve seus discípulos em gratidão ao que ele aprendeu com Karl Plattner, com quem trabalhou por 2 anos.  Nas palavras de Wesley: “Num tempo muito curto pintava exatamente igual a ele.  Você não ia ver a diferença e isso é uma coisa muito significativa no aprendizado.  Fazia assim, primeiro porque tinha profunda confiança nele, não discutia individualidades. Creio que não premeditava isso, mas era um homem muito instintivo, e como eu era seu discípulo mesmo, foi assim que me ensinou: ficando ao seu lado, vendo, ouvindo.”

Fiquei encantada com essa falta de medo da imitação. Amar é imitar. Aprender é imitar. Depois de um tempo imitando Plattner, Wesley comenta que seu estilo emergiu: “Aos poucos é que meu mundo foi entrando. Comecei a fazer têmpera sobre papel e lentamente a influência foi saindo.  Mas era muito marcante, acho que ela ainda está presente neste quadro que acabo de fazer.”

Assim, parece que mesmo imitando, a gente imita um pouco diferente. Surge a autonomia. Querendo fazer igual, manter nossa congruência com aquele meio em que estamos, nosso estilo, nosso jeito se revela.  Como dizem os biólogos culturais, vamos vivendo um espaço experiencial no qual vamos nos transformando de modo que esse espaço gera as possibilidades de autonomia até que chega um momento em que somos pessoas que vão agir através de si. Mesmo entrelaçados com outros, vamos dizer sim ou não através de nós e agüentar as conseqüências. E isso é o essencial da educação, não as técnicas, não as práticas nem as teorias.

Com seus próprios discípulos, Wesley também seguiu seu não-professor: “Ninguém pode dizer que eu era professor, porque não era. O que eu estava afirmando? Nada. Aceitei-os por uma dívida pessoal que tinha com meu mestre e por insistência deles.  A dívida era a seguinte: o tempo que Plattner dedicara a mim era impagável. O pagamento seria formar um outro; formei quatro…”

Segundo os curadores da exposição de hoje, “Para eles a noção de ‘ensino’ compreendia inúmeras estratégias que em absoluto podem ser resumidas, nem apenas à prática do desenho por si só e muito menos no maneirismo de uma forma de fazê-lo. O estímulo a uma arte que ‘não se ensina, se aprende’ e que depende também de uma generosidade recíproca.”

Então somos todos artistas, de diversas áreas, para quem o aprender surge na relação generosa com o outro no amar. E  foi isso mesmo que Wesley aprendeu e passou adiante: Confiança, respeito pelo outro, generosidade…

Então, grata por essa aprendizagem,  me despeço mandando um beijo carinhoso prá mama, artista que me ensinou a ver.

*Os depoimentos de Wesley foram extraídos do primeiro livro da Cacilda sobre o Wesley,  editado pela Funarte no Rio de Janeiro em 1978.

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Tudo acontece dentro da gente?

Abril 9, 2009 · 1 Comentário

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Me miro en lo que miro

Abril 6, 2009 · Deixe um comentário


Originally uploaded by Heba A.

Blanco Octavio Paz

me miro en lo que miro
como entrar por mis ojos
en un ojo más límpido

me mira lo que miro
es mi creación esto que veo
la percepción es concepción
agua de pensamientos
soy la creación de lo que veo

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Me vejo no que vejo

Abril 6, 2009 · Deixe um comentário


Originally uploaded by Heba A.

Blanco Octávio Paz & Haroldo de Campos

me vejo no que vejo
como entrar por meus olhos
em um olho mais límpido

me olha o que eu olho
é minha criação isto que vejo
perceber é conceber
águas de pensamentos
sou a criatura do que vejo


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Investigação Apreciativa relâmpago na RedeVivo

Março 24, 2009 · Deixe um comentário

vivo-educa-361

sonho grupo 1

Como parte das atividades da Papagallis durante o seminário “A Sociedade em Rede e a Educação” promovido pelo Instituto Vivo no dia 19 de março de 2009, facilitamos uma Investigação Apreciativa relâmpago .  Com o tempo de duas horas, nosso convite foi trazer para a prática as idéias que estavam sendo geradas no programa, na parte da manhã e no dia anterior, por meio de um caso real proposto pelo Instituto Vivo.  Nas palavras de Vivianne Amaral,  participante do processo,  “a conversação procurou responder ao seguinte desafio: Baseada nas experiências individuais, qual seria o melhor modelo para desenvolver um projeto educativo envolvendo 13 comunidades na região amazônica utilizando as tecnologias móveis, e num cenário onde alguns alunos ficam durante 15 dias em uma “zona escolar” e outros 15 dias em casa com sua família?”  Para isso, contamos com um grupo engajado composto por estudantes, educadores, ecologistas, marketeiros, ativistas sociais, consultores e colaboradores da Vivo.  Começamos o processo fazendo uma entrevista em duplas para levantar histórias dos participantes sobre a “liberdade para escolher”.  A pergunta foi: “Quando você sentiu que tinha liberdade para escolher e isso foi significativo na sua vida?” Ouvimos histórias de empenho, mudança de caminhos profissionais, assumir riscos e nadar contra a maré que mais tarde na vida foram recompensadas.

sonho grupo 2

sonho grupo 2

Essas histórias mostraram ao grupo o tipo e alcance da energia de transformação ali disponível, colocada generosamente, em seguida, à disposição do projeto.  Nos conectamos no futuro daquela comunidade, visualizando um momento quando o melhor que pode acontecer lá já aconteceu.  O projeto “deu certo”.  A comunidade, as crianças e suas famílas estão integradas em um modelo de educação inovador e dinâmico.  A partir destas imagens compartilhadas e divididos em dois grupos, os participantes criaram painéis apresentando suas “nuvens de idéias”, sem a preocupação de convergir em um sonho único.  Assim, surgiu o Rio Amazonas como metáfora da rede da vida e pano de fundo para a valorização e respeito à cultura local e às tradições orais, numa “escola que mostre o mundo e ao mesmo tempo se mostre para o mundo” onde afeto e cohecimento fluem juntos.  Ao mesmo tempo que se brinca com a tecnologia, fortalece-se a rede local e a formação dos professores.  Um barco laboratório com chão de vidro para o estudo do meio, a visão de uma ilha tecnológica, onde o intercâmbio, a gestão e a articulação com outras redes de conhecimento sejam possíveis completaram o cenário.

os grupos apresentam na plenária

os grupos apresentam na plenária

Os grupos apresentaram seus painéis em plenária e receberam colaborações da platéia, que respondeu às perguntas: Por que gostei dessa idéia? e  Como poderia melhorá-la ainda mais?  Ao final, ouvimos o comentário poético do Gracio Antonio dos Reis: “Havia duas escolas,  a escola e o caminho da escola. Uma tornava a outra mais bela.” Agora que o caminho está iniciado, vamos fazendo e desenvolvendo esse caminhar com os participantes e os novos integrantes da rede.

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Tal vez amar es aprender a caminar por este mundo

Março 19, 2009 · 1 Comentário

tilo

Coda
Tal vez amar es aprender
a caminar por este mundo.
Aprender a quedarnos quietos
como el tilo y la encina de la fábula.
Aprender a mirar.
Tu mirada es sombradora.
Plantó un árbol.
You hablo
porque tu meces los follajes.

Octavio Paz

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Flagra

Março 15, 2009 · Deixe um comentário

flagraEu, sem querer
câmera na mão, chamei
Você olhou, nem vi
Cliquei.
Você, distraído, não percebeu também.
A câmera, inocente, registrou
aquele olhar doce, quase raro
transcendente
Sem pose, sem tempo de fazer pose
você, transparente.
Flagrei sua alma dourada.

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Feel the fear and do it anyway

Março 14, 2009 · 1 Comentário

wave Venho me perguntando como é que rola o medo na vida.  Assim, tipo puxar o freio de mão, levar as coisas em banho maria, segurar a onda.  Conservar a segurança, o conhecido. Não arriscar. Não se jogar, não surfar a onda. Ficar na beirinha da vida, brincando na ondinha em vez de dar aquele mergulho. Dizer não prá vida que bate à nossa porta, nos convidando a sair e brincar.  Parar na beira da ladeira e olhar, olhar… Olhar prá aquela vontade de pegar um carrinho de rolimã e se jogar, sentir o frio na barriga, a adrenalina, o vento.  De repente vem aquele freio, “você vai se arrebentar quando chegar lá embaixo” e a gente para, por que?

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Queria sair escondido

Março 11, 2009 · 2 Comentários

All images © 2009 Alison Whittington. All rights reserved.

All images © 2009 Alison Whittington. All rights reserved.

Queria sair escondido

Queria sair escondido de nós dois

De um jeito que a gente não percebesse

Prá gente poder ser feliz em paz.

De um jeito que o amor passasse despercebido e escapasse da vida

Dessa vida sem espaço

Sem colo sem chance

Onde tudo é exigência obrigação

Essa vida que mata tudo antes de nascer.

Queria me esconder, escapar, fugir sumir com você

Sair escondido, dançar, voar, nadar até Shangrilá, Babilon, sei lá.

Achar nossa ilha da fantasia e nunca mais sair de lá.

Achei que a gente ia achar essa ilha dentro da gente.

Que pena, não achei.

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