Dezembro 2008


spaceball

doves2

Amigos, aqui me despeço em minha última reflexão antes das férias. Serão férias desconectadas. Wireless. Sem celular, sem laptop, twitter, blog, feeds.. Faço uma tentativa de reconexão com o natural, puramente presencial. Um desejo de viver simples e dar conta de uma dimensão só, pelo menos por um tempo. Centrar. Conversar. Nadar no mar. Tomar sol. Mais nada. Volto em janeiro, bem no fim, morrendo de saudades. Deixo vocês com um pensamento que espero se derrame incondicionalmente sobre 2009 e além!

“La conservación recursiva de estas configuraciones de sentires relacionales íntimos generadores de conversaciones de desamar a sí mismo, sólo puede desaparecer cuando ocurre un acto reflexivo en el presente que disuelve la aceptación inconsciente de la validez o legitimidad de ese desamar (…) que suelta el apego a la certidumbre de la legitimidad de la negación de si mismo que se vive.” Ximena D’ávila& Humberto Maturana – Habitar Humano, p. 283

Em minhas palavras:

Só é possível desconfigurar um sentimento de desamar a si mesmo quando ocorre uma reflexão. Ela é capaz de dissolver a aceitação inconsciente da validade ou legitimidade desse desamar. E mais, o que torna isso possível é abrir mão da certeza da legitimidade da negação de si mesmo.

Negar é desamar

Sem querer legitimamos isso
Por que guardamos que não fomos vistos
E passamos isso adiante
E não validamos, não conseguimos ver, cegos
Desamando a nós mesmos e aos que mais amamos

É possível abrir mão dessa certeza de que não valemos,
Ou que só valemos se.. e aceitar?

Aceitar que somos o que somos
Que os outros são o que são
E que amar não tem condição
Amar é aceitar, é ver
Sem julgar

Amar é aceitar incondicionalmente
Não por que é belo
Nem por que é feio
Nem por que eu gosto ou desgosto
Apenas por que existe e é legítimamente humano
Sem por ques, sem explicação.

Hoje me peguei nessa reflexão
Sobre o amor incondicional
Afinal é Natal
Não é disso que ele trata?

Que a gente possa sempre refletir
E abrir mão das certezas
Que nos prendem a nada.

E que essa centelha de amor incondicional
Possa crescer dentro da gente
E nos ensinar a ver.

Feliz Natal.

2114435

Que tal esse outro jeito de construir um Natal de Paz?
O dia é hoje! Corre que ainda dá tempo!

Visite o site http://globalorgasm.org/

Tirinha


MIRROR IN THE LAKE por weirena.

Odeio gente carente.
Tenho horror a quem chama atenção.
Os obssessivos me apavoram.
Não suporto gente metida.
Por que?
São espelhos existenciais.

Lembram-me insitentemente e ininterruptamente de mim.
De jeitos meus de ser
Dos quais não gosto, não quero ver, nego em mim.
Olho prá eles e me reconheço. Argh!
Me apavoro por que não quero ser assim.
Não me aceito desse jeito.

Touché!

Quando quis parar de fumar
Tive desprezo pelos fumantes.
Toda dieta que começei
Me deu nojo dos glutões.

Via neles uma Fernanda, que escondida em mim
Eu queria que morresse.
E sempre vinha algum chato
lembrar-me que ela estava viva, dando bandeira.
Que mau gosto..

Bom, antes que a gente comece a achar o mundo todo insuportável
Nada adequado a essa época do ano,
Que tal prestar atenção à sua repulsa?
Te convido a trazê-la à tona, à luz
Prá bater um papo amigável.

E olhar bem prá ela.
Quem sabe ela te ajuda
A fazer as pazes com você
E com o resto da humanidade também?

Será que esse é um jeito de construir um Natal de Paz?

Fui ver esta hilária novidade dos irmãos Cohen. Adoro como eles sabem transformar pessoas banais e idiotas (“morons”, como diz o personagem de John Malkovich) em fascínoras. Como se sob a mediocridade estivesse sempre escondida uma perversão absurda, pronta prá entrar em cena e causar muito dano quase sem querer, ao menor deslize. A mediocridade é perigosa. Será? Alguns amigos concordariam sem hesitar. Desta vez agregando um cruel show de trapalhadas brutais e alienação da CIA. Casting perfeito. Elenco genial. Em cartaz em Sampa. Não perca!

Rent

Qual a métrica do sucesso em termos humanos?
Como medir o que vale a pena?
Como contar a passagem do tempo?
Qual o jeito de medir um ano da vida?
Como saber se você fez a diferença este ano?
O que foi mesmo importante em 2008?

525,600 minutes,
525,000 moments so dear.
525,600 minutes

How do you measure, measure a year?
In daylights, in sunsets, in midnights, in cups of coffee.
In inches, in miles, in laughter, in strife.
In 525,600 minutes
How do you measure a year in the life?

How about love?
Measure in love.
Seasons of love.

525,600 minutes
525,000 journeys to plan.
525,600 minutes
How do you measure the life of a woman or man?

In truths that she learned,
or in times that he cried.
In bridges he burned, or
the way that she died.

It’s time now to sing out,
to the story never ends
let’s celebrate remember a year in the life of friends.
Remember the love
Measure in love, Measure your life in love
Seasons of love

* Seasons of love: Um super recado sobre como medir a vida do filme Rent

Por que grandes encontros entre pessoas demandam jeitos diferentes de conversação?
Como criar condições para que grandes grupos de pessoas conversem?
Como iniciar a mudança em grande escala por meio da conversação?
O que motiva as pessoas conectadas em sistemas humanos a mudar?
O que fazer para criar convergência na multidão?

Essas perguntas povoam as idéias de psicólogos organizacionais como David Cooperrider e Ron Fry, idealizadores e praticantes da Investigação Apreciativa (Appreciative Inquiry), metodologia utilizada para orientar os trabalhos durante o Global Forum de Educação para sustentabilidade. A exaustão do modelo tradicional de conferência – aula – modelo mental autocrático que divide os que sabem e os coloca no palco e os que não sabem e os coloca na platéia, e a necessidade de modelos empresariais de decisão mais democráticos, onde todo o sistema participa, abraça as decisões, fazendo acontecer, reduzindo resistência à mudança e aumentando o entusiasmo, pede metodologias como esta, que conecta diretamente as ações à inteligência da rede como um todo.

Especificamente para um encontro como o Global Forum, cujo objetivo é gerar cooperação em grupos de trabalho autônomos dedicados à educação para um mundo sustentável, a metodologia propõe um processo de quatro etapas que se inicia em profundas entrevistas individuais em dupla, criando um espaço de confiança e envolvimento pessoal. Este primeiro passo – chamado descoberta – faz com que as pessoas desvistam seus papéis institucionais e se abram para uma participação integral no movimento. Por meio do resgate de momentos positivos de suas histórias, descobre-se qual é a essência positiva do grupo, o que nutre e dá vida àquela comunidade. Nesse Forum começamos perguntando sobre a vivência de liderança de mudança inovadora trazendo à mão a iniciativa de mudar, seguida pela recordação de alianças bem sucedidas para recordar as características pessoais necessárias para esta realização.

Motivadas pela nova percepção de valor e alicerçadas em suas forças, as pessoas naturalmente se voltam para o futuro, e empoderadas, sonham com algo brilhante, fora do comum e inovador. Inicia-se a segunda etapa do processo – o sonho – que no caso do Forum criou um cenário para daqui a 10 anos, no qual a compreensao humana a respeito da sustentabilidade aprofundou-se, gerando mudanças positivas nos negócios e na sociedade como um todo, graças às ações dos participantes do Call for Action. Os grupos apresentaram suas visões uns para os outros em subgrupos de 40 pessoas, gerando um clima intenso de energia e entusiasmo.

Em seguida, o momento é de identificar iniciativas que possam enriquecer projetos e idéias individuais, facilitar esforços colaborativos intersetoriais e projetar maneiras de unir toda comunidade em torno de inovações educacionais que aumentem a grandeza de um mundo sustentável. Aterrissar o sonho. Por os pés no chão e criar caminhos para que ele se materialize. Para isso, os participantes escolheram e desenvolveram, em seus grupos, ações que gostariam de ver concretizadas. Os porta-vozes dos grupos apresentaram em plenária enquanto a equipe de co-facilitadores as registrava em flip-charts. Em seguida, cada participante votou em 4 iniciativas que mais gostaria de ver realizadas. Os votos forão contados e as idéias que receberam 20 votos ou mais foram organizadas em um open space para que os participantes pudessem explorar as idéias e escolher em qual decidiriam se engajar.

Esta fase – Desenho – é pautada pela pergunta: “O que podemos fazer amanhã, que fará uma diferença ainda maior do que qualquer outra coisa que tenhamos imaginado ou feito no passado?” As três iniciativas mais votadas foram: CRIAR LEI QUE INCENTIVE A RESPONSABILIDADE DOS FABRICANTES PELO PÓS CONSUMO, MUDANÇA CURRICULAR E FORMAÇÃO DE DOCENTES PARA SUSTENTABILIDADE e OPERAÇÃO BOICOTE – MIDIA EDUCACIONAL PARA O CONSUMO RESPONSÁVEL. Formados novos grupos, agora por atração a uma idéia comum, trabalhou-se em uma “Afirmação Aspiracional”, um parágrafo que descreve o que o grupo mais quer atingir com esta idéia de projeto. Os grupos deram feedback positivo uns para os outros baseando-se nas perguntas: “Por que eu acho essa idéia boa?” e “O que faria para fortalecê-la ainda mais?”
Munidos e fortificados pelas sugestões de melhoria, os grupos reescreveram suas afirmações.

Chegamos ao destino, momento no qual passa-se do projeto para a implementação. Co-criando um futuro preferido, é hora de partir prá ação. Começa-se com um brainstorming de “comos” e daí para a prototipagem. Transformar uma idéia em algo tangível. Os projetos vão se construindo literalmente e tomando forma. Novamente reunidos em agrupamentos, os grupos apresentaram seus projetos uns para ous outros, já agora mais consistentes, com o que, como, quando, e quem deve ser envolvido para o seu sucesso. Era o fim deste encontro. O movimento continua. De forma autônoma, os grupos irão se auto-organizar para levar adiante suas idéias, aspirações e projetos para um mundo mais sustentável.

Assim entendemos a coerência da escolha da metodologia da Investigação Apreciativa para orientar um forum sobre educação, cooperação e sustentabilidade. Diálogo, aprendizagem compartilhada, escuta, igualdade de voz, liberdade, autonomia e protagonismo pautaram a sustentabilidade das relações humanas durante todo o encontro. Até o próximo!

Que saudades de meu super querido amigo Augusto Cuginotti, todo sustentável e reflexivo, morando em Barcelona. Ainda mais agora quando responde à mais essencial pergunta: ¿Como estamos haciendo lo que estamos haciendo en este presente, que estamos viviendo como estamos viviendo?
Profundo, poético e auto-didata em Maturana: Adorei e publico!

A Juliana Machado publicou uma notícia super interessante sobre felicidade que eu replico aqui. Pedi para ela o link para o estudo como um todo, para poder comentar também. Ansiosa, aguardo!