Março 2009


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sonho grupo 1

Como parte das atividades da Papagallis durante o seminário “A Sociedade em Rede e a Educação” promovido pelo Instituto Vivo no dia 19 de março de 2009, facilitamos uma Investigação Apreciativa relâmpago .  Com o tempo de duas horas, nosso convite foi trazer para a prática as idéias que estavam sendo geradas no programa, na parte da manhã e no dia anterior, por meio de um caso real proposto pelo Instituto Vivo.  Nas palavras de Vivianne Amaral,  participante do processo,  “a conversação procurou responder ao seguinte desafio: Baseada nas experiências individuais, qual seria o melhor modelo para desenvolver um projeto educativo envolvendo 13 comunidades na região amazônica utilizando as tecnologias móveis, e num cenário onde alguns alunos ficam durante 15 dias em uma “zona escolar” e outros 15 dias em casa com sua família?”  Para isso, contamos com um grupo engajado composto por estudantes, educadores, ecologistas, marketeiros, ativistas sociais, consultores e colaboradores da Vivo.  Começamos o processo fazendo uma entrevista em duplas para levantar histórias dos participantes sobre a “liberdade para escolher”.  A pergunta foi: “Quando você sentiu que tinha liberdade para escolher e isso foi significativo na sua vida?” Ouvimos histórias de empenho, mudança de caminhos profissionais, assumir riscos e nadar contra a maré que mais tarde na vida foram recompensadas.

sonho grupo 2

sonho grupo 2

Essas histórias mostraram ao grupo o tipo e alcance da energia de transformação ali disponível, colocada generosamente, em seguida, à disposição do projeto.  Nos conectamos no futuro daquela comunidade, visualizando um momento quando o melhor que pode acontecer lá já aconteceu.  O projeto “deu certo”.  A comunidade, as crianças e suas famílas estão integradas em um modelo de educação inovador e dinâmico.  A partir destas imagens compartilhadas e divididos em dois grupos, os participantes criaram painéis apresentando suas “nuvens de idéias”, sem a preocupação de convergir em um sonho único.  Assim, surgiu o Rio Amazonas como metáfora da rede da vida e pano de fundo para a valorização e respeito à cultura local e às tradições orais, numa “escola que mostre o mundo e ao mesmo tempo se mostre para o mundo” onde afeto e cohecimento fluem juntos.  Ao mesmo tempo que se brinca com a tecnologia, fortalece-se a rede local e a formação dos professores.  Um barco laboratório com chão de vidro para o estudo do meio, a visão de uma ilha tecnológica, onde o intercâmbio, a gestão e a articulação com outras redes de conhecimento sejam possíveis completaram o cenário.

os grupos apresentam na plenária

os grupos apresentam na plenária

Os grupos apresentaram seus painéis em plenária e receberam colaborações da platéia, que respondeu às perguntas: Por que gostei dessa idéia? e  Como poderia melhorá-la ainda mais?  Ao final, ouvimos o comentário poético do Gracio Antonio dos Reis: “Havia duas escolas,  a escola e o caminho da escola. Uma tornava a outra mais bela.” Agora que o caminho está iniciado, vamos fazendo e desenvolvendo esse caminhar com os participantes e os novos integrantes da rede.

tilo

Coda
Tal vez amar es aprender
a caminar por este mundo.
Aprender a quedarnos quietos
como el tilo y la encina de la fábula.
Aprender a mirar.
Tu mirada es sombradora.
Plantó un árbol.
You hablo
porque tu meces los follajes.

Octavio Paz

flagraEu, sem querer
câmera na mão, chamei
Você olhou, nem vi
Cliquei.
Você, distraído, não percebeu também.
A câmera, inocente, registrou
aquele olhar doce, quase raro
transcendente
Sem pose, sem tempo de fazer pose
você, transparente.
Flagrei sua alma dourada.

wave Venho me perguntando como é que rola o medo na vida.  Assim, tipo puxar o freio de mão, levar as coisas em banho maria, segurar a onda.  Conservar a segurança, o conhecido. Não arriscar. Não se jogar, não surfar a onda. Ficar na beirinha da vida, brincando na ondinha em vez de dar aquele mergulho. Dizer não prá vida que bate à nossa porta, nos convidando a sair e brincar.  Parar na beira da ladeira e olhar, olhar… Olhar prá aquela vontade de pegar um carrinho de rolimã e se jogar, sentir o frio na barriga, a adrenalina, o vento.  De repente vem aquele freio, “você vai se arrebentar quando chegar lá embaixo” e a gente para, por que?

All images © 2009 Alison Whittington. All rights reserved.

All images © 2009 Alison Whittington. All rights reserved.

Queria sair escondido

Queria sair escondido de nós dois

De um jeito que a gente não percebesse

Prá gente poder ser feliz em paz.

De um jeito que o amor passasse despercebido e escapasse da vida

Dessa vida sem espaço

Sem colo sem chance

Onde tudo é exigência obrigação

Essa vida que mata tudo antes de nascer.

Queria me esconder, escapar, fugir sumir com você

Sair escondido, dançar, voar, nadar até Shangrilá, Babilon, sei lá.

Achar nossa ilha da fantasia e nunca mais sair de lá.

Achei que a gente ia achar essa ilha dentro da gente.

Que pena, não achei.

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LIMITES E TRANSFORMAÇÃO

Vivemos transformando o mundo e neste novo mundo realizamos um novo viver.
Ao mesmo tempo, vivemos conservando o meio que nos cerca.
E conservando este meio, nos mantemos vivos.
Vivemos nosso viver nos transformando a todo instante.
Cada ato, cada ação que realizamos em nosso meio é um movimento.
Mudamos sempre e continuamos sendo sempre o que sempre fomos.
Porém somos sempre algo novo.
Então, um pouco de nós sempre se transforma e outro tanto sempre se conserva.
E o que é engraçado, é que só sabemos o que mudou ou o que se conservou, um pouco depois que vivemos aquilo que vivemos.
Nossos limites conservam nosso jeito de fazer as coisas e enquanto a gente não percebe o limite, às vezes não percebemos nossa constante transformação.
O que nos faz perceber limite e transformação é a possibilidade de refletir sobre eles e sobre a forma como vivemos o nosso viver.

COMO SEGUIMOS SEMPRE INDO ALÉM

Então aquilo que transformamos em nós, e tudo que transformamos ao redor acontece a partir dos nosso limites, e se alonga até nossas bordas.
Nossos limites se fecham, nossas bordas se esticam.
Nossas bordas se encontram, nossos limites nos separam.
Nossos limites são mais fáceis de serem conhecidos, nossas bordas vão sendo descobertas na convivência com o outro.
Em nossas bordas nos movimentamos, nossos limites nos paralisam.
Nada está fora de nós, nosso além está aqui, dentro de nós, já determinado como um oceano de possibilidades.
Tudo que é possível a partir de como vivemos nosso viver nos leva a enriquecer as formas como viveremos.

Compartilho aqui este texto feito a 6 mãos, meio presencialmente, meio à distância, com Luiz Algarra & Alberto Blumenschein, para provocar reflexão em um encontro de 200 mulheres liderado pela Denise Damiani da Accenture dia 09 de março de 2009.  Ronaldo Richieri, Ligia Giatti e eu, na foto com Denise, facilitamos o encontro que tinha como tema “stretch yourself”.