trustDepois de uma semana intensa na Biologia Cultural, saí intrigada sobre que tipo de espaço crio pra meus filhos.   E ontem, como que ouvindo minha inquietação, tive um tipo de resposta deles. Visitávamos o CCJ e as crianças tinham conhecido o Edson Nascimento, monitor e arte-educador naquele momento.  Depois de conversarem sobre o filme Wall.e, interessarem-se vivamente pelo lugar encantando-se com as aulas de rap, ficarem concentrados na bilbioteca lendo gibis enquanto eu e Edson conversávamos, despediram-se calorosamente.  Nas despedidas, eu disse: – Vamos crianças, se não chegaremos muito tarde na praia.  E eles viraram pra ele, naturalmente, e convidaram: -Você não quer ir pra praia com a gente?

Na hora, sorri, ele agradeceu e fomos embora.

Mas no carro, depois que eles dormiram, a cena me voltou à cabeça e eu vi o mundo de confiança em que vivemos.  Vivemos num mundo onde todos são  indiscriminadamente amigos, onde o compartilhar é natural e novas pessoas são acolhidas como velhas conhecidas.

Vi meus filhos como seres humanos amorosos e isso me comoveu até os ossos.  E vi essa sustentabilidade humana que afinal de contas sugiu ali no nosso viver. Este legado deixo prá eles, um legado que queria mesmo deixar.