
“O maravilhoso dos robôs é que, salvo erro em sua construção, acidente relacional ou erro em seu uso, comportam-se de forma impecável e previsível conforme seu design. Os seres vivos em geral, e os seres humanos em particular, não são assim, não são robôs. Os seres humanos querem pensar, querem refletir, querem mudar de opinião, querem ter iniciativa, querem participar do que fazem. Querem ser vistos e escutados como seres inteligentes e criativos.”
Então, a Ximena e o Humberto falam dessa mudança que está ocorrendo nas organizações humanas que não conseguem funcionar conforme o planejado, porque o planejado nunca dá certo. Só daria certo se vivêssemos num mundo de robôs, não de seres humanos. Robôs não erram, nem mudam de idéia. Robôs são certinhos e bem comportados. Concordam. Se submetem sem reclamar.
Imersos em uma cultura fundada no controle, coisa que tem tudo a ver com robôs, nos vemos frustrados e infelizes. Ficamos doentes porque nos acostumamos a obedecer, coisa de que não gostamos. É a tal da zona de conforto, um lugar aconchegante e morninho, onde paralisados, fingimos que estamos felizes. Mas nos queixamos. Nos revoltamos e boicotamos.
Robôs não refletem. Vivem mecanicamente fazendo a mesma coisa, conservando as mesmas coisas. São incapazes de se observarem e se perguntarem como fazem o que fazem. Pra que fazem o que fazem. Robôs não criam.
Eu me vejo vivendo como robô de vez em quando. Quando percebo que obedeço, não à moral, a regras estabelecidas por outros, mas a uma configuração de sentires íntimos estácionária, que sei que me faz mal, mas um mal conhecido. Nessa hora me pergunto: O que quero conservar: O conhecido ou o auto-respeito?
E quando me vejo num lugar, trabalhando e vivendo onde há espaço para a co- inspiração, para a contribuição, quando sinto que sou agente de mudança, que algo aconteceu de diferente por minha causa, que minhas idéias são escutadas e que as transformações que proponho estão sendo aceitas, me vejo gente.
Esse lugar de protagonismo, tanto externo quanto interno, surge quando temos a coragem de assumir nossas opiniões além do medo de não sermos aceitos. Nós construímos. Dentro e fora, ao mesmo tempo. Quando nutrimos a autonomia e o respeito por nós mesmos, criamos um contexto de respeito e autonomia para todos, que sustenta e nutre essas qualidades em nós.
Então, toda atenção: O quanto de robôs deixamos existir em nossa vida? O quanto nos acostumamos a fazer as coisas de forma automática sem nos observarmos, fingindo que não sabemos que sabemos? O quanto fingimos que não temos escolha quando sabemos que só fazemos o que queremos?






